Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António
Vila Real de Santo António | |
|---|---|
| Inauguração | 14 de Abril de 1906 |
| Linha(s) | Linha do Algarve (PK 395,978) |
| Coordenadas | 37° 11′ 58,88″ N, 7° 25′ 17,64″ O |
| Concelho | Vila Real de Santo António |
| Serviços Ferroviários | Regional Horários em tempo real |
| Serviços | |
A Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António é uma interface da Linha do Algarve, que serve a localidade de Vila Real de Santo António, no Distrito de Faro, em Portugal. A estação primitiva entrou ao serviço em 14 de Abril de 1906,[1] tendo o novo edifício sido inaugurado em 4 de Setembro de 1945.[2]
Índice
1 Caracterização
1.1 Características e serviços
1.2 Localização e acessos
1.3 Edifício da estação
2 História
2.1 Antecedentes e planeamento
2.2 Construção e inauguração
2.3 Décadas de 1930 e 1940
2.4 Prolongamento até à margem do Guadiana
2.5 Década de 1950
2.6 Década de 1960
2.7 Década de 1990
2.8 Movimento de passageiros e mercadorias
3 Ver também
4 Referências
5 Bibliografia
6 Ligações externas
Caracterização |
Mapa da Linha do Algarve.
Características e serviços |
Em Janeiro de 2011, esta estação contava com três vias de circulação, duas com 437 m de comprimento, e a terceira, com 407 m; só as primeiras duas linhas estavam munidas de plataformas, ambas com 133 m de extensão, tendo a primeira 35 cm de altura, e a segunda, 40 cm.[3]
Fachada da estação, em 2014.
Localização e acessos |
Esta interface possui acesso pelo Largo da Estação Ferroviária, na localidade de Vila Real de Santo António.[4]
Edifício da estação |
O edifício da estação apresenta um estilo Modernista.[5] Foi projectado pelo arquitecto Cottinelli Telmo.[6]
História |
Plano da Rede ao Sul do Tejo, decretado em 27 de Novembro de 1902. Uma dos projectos assinalados era a continuação da Linha do Sul além de Faro até Vila Real de Santo António.
Antecedentes e planeamento |
Em 2 de Dezembro de 1878, Joseph William Henry Bleck foi autorizado por um concurso a construir uma ligação ferroviária entre Vila Real de Santo António e Lagos, servindo as principais localidades do Algarve.[7] Este alvará foi transferido para a Companhia Portugueza de Caminhos de Ferro do Sul, que apresentou um projecto para este caminho de ferro, com uma estação em Vila Real de Santo António.[7] No entanto, a concessão foi considerada como caduca por uma portaria de 19 de Dezembro de 1893.[7]
Em 1897, o Ministro da Fazenda apresentou às Câmaras uma proposta de lei para o arrendamento das linhas então sob a jurisdição do Estado, e para autorizar o governo a abrir concurso para várias ligações ferroviárias, incluindo uma de Faro a Vila Real de Santo António.[8] Esta proposta foi aceite, tendo sido oficialmente publicada em em 10 de Agosto do mesmo ano.[9] Este projecto fazia parte da rede ferroviária do Algarve, que também incluía o troço até Lagos.[7]
Postal retratando a cerimónia de inauguração, em 1906.
Construção e inauguração |
Em 13 de Maio de 1904, foi publicada uma portaria que ordenou a realização de estudos para a instalação da estação de Vila Real de Santo António, no local que tinha sido preferido pela população.[10] Nesse mês, calculava-se que no prazo de um ano as locomotivas já chegariam a Vila Real de Santo António.[11]
Em 11 de Janeiro de 1905, teve lugar o concurso para as terraplanagens e obras de arte no troço de Cacela a Vila Real de Santo António.[12]
O troço entre Tavira e Vila Real de Santo António entrou ao serviço em 14 de Abril de 1906, sendo então considerado como parte da Linha do Sul.[13][14] Um dos motivos para a abertura desta estação foi a necessidade de melhor servir, por via ferroviária, as actividades agrícolas na zona do Sotavento Algarvio.[14]
A estação foi instalada numa zona então afastada da vila e do rio, de forma a permitir a futura construção de uma ponte internacional, para a ligação à rede ferroviária espanhola.[15] No entanto, isto criou dificuldades de acesso, sendo necessário atravessar uma zona de areais e terrenos alagadiços para chegar à estação.[16]
Antiga estação de Vila Real de Santo António.
Décadas de 1930 e 1940 |
O novo edifício da estação de Vila Real de Santo António foi projectado pelo arquitecto Cottinelli Telmo em 1936.[6]
Em 1940, uma brigada de engenheiros esteve em Vila Real de Santo António, para escolher o local para uma nova estação ferroviária.[17] Em 4 de Setembro de 1945, foi inaugurada a nova estação.[2]
Em 22 de Dezembro de 1948, realizou-se um concurso público relativo à empreitada n.º 93, da construção da parte em elevação das cocheiras para locomotivas e carruagens na estação de Vila Real de Santo António; esta obra foi adjudicada à firma Construtora Algarvia, Ld.ª, de Olhão, no valor de 1:528.089$00 escudos, por um diploma do Ministério das Comunicações, publicado no Diário do Governo n.º 46, II Série, de 25 de Fevereiro de 1949.[18]
Antigo edifício de Vila Real de Santo António - Guadiana, em 2008.
Prolongamento até à margem do Guadiana |
Embora originalmente se tenha previsto uma ligação ferroviária contínua até Espanha, por meio de uma ponte[15], esta obra seria muito dispendiosa, motivo pelo qual também se pensou em fazer a travessia do Rio Guadiana por meio de barcos.[19] Com efeito, numa proposta de lei de 24 de Março de 1904, elaborada por José Fernando de Sousa a ordens do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Conde de Paçô Vieira, estava prevista uma ponte-cais no Rio Guadiana, no topo da Linha do Sul.[20] Do lado espanhol, em Ayamonte, devia ser construída uma estrutura idêntica, para estabelecer um serviço de vapores entre as duas margens.[20] O projecto da ponte foi cancelado, tendo sido substituído por um serviço de vapores entre as duas margens.[20]
Em 1927, existia um serviço de autocarros entre Ayamonte e Huelva, em combinação com os comboios rápidos de Lisboa a Vila Real de Santo António.[19] Em 11 de Maio desse ano, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses começou a explorar as vias férreas dos Caminhos de Ferro do Estado.[21] Em 24 de Agosto de 1936, foi inaugurada a linha de Ayamonte a Huelva.[20] Para facilitar o acesso por parte dos passageiros com origem ou destino em Espanha, foi prolongada a linha até à margem do Rio Guadiana, onde foi construída uma nova gare ferro-fluvial.[15] O Apeadeiro de Vila Real de Santo António - Guadiana foi inaugurado em 24 de Janeiro de 1952, passando todos os comboios a ser prolongados até aqui.[22] A antiga estação, no entanto, continuou a ser a gare principal de Vila Real de Santo António.[23]
Vista geral do edifício da estação, inaugurado em 1945.
Década de 1950 |
Nos princípios da Década de 1950, a estação albergou uma delegação do Secretariado Nacional de Informação.[15]
Em 1 de Novembro de 1954, foram iniciados os serviços de automotoras entre Lagos e Vila Real de Santo António.[24]
Em 1956, a Compagnie Internationale des Wagons-Lits mantinha três serviços nos comboios entre o Barreiro e Vila Real de Santo António, um de carruagens-camas, outro de carruagens-restaurantes e um de cantinas.[25]
Década de 1960 |
Em 20 de Junho de 1969, o Conselho de Administração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses aprovou a criação de comboios em regime de excursão entre Vila Real de Santo António e Lisboa, como forma de combater a crescente concorrência do transporte rodoviário na região Sul.[26]
Década de 1990 |
Em 1991, principiaram os comboios InterRegionais entre Vila Real de Santo António e Lagos.[27]
Automotora 0609 em Vila Real de Santo António, em 2005.
Movimento de passageiros e mercadorias |
A estação de Vila Real de Santo António foi um dos principais destinos de veraneio no Sotavento Algarvio.[28]
Também se afirmou como um importante entreposto de mercadorias, para o embarque de gado, especialmente do tipo bovino[29], azeite, adubos, carvão e vários metais, com destino ao resto do Algarve, predominantemente Faro e Olhão, e para Vendas Novas.[28] Também recebeu um grande volume de carga, especialmente folha-de-flandres, vinda de Lisboa, e vinhos e frutos secos, originários do resto do Algarve, do Barreiro e de Vendas Novas.[28] O movimento decresceu após o início da Primeira Guerra Mundial[28], mas voltou a crescer após o final da Segunda Guerra Mundial, quando a estação tornou-se um importante centro de distribuição de cereais e farinhas oriundos de Mértola e Alcoutim, o que impulsionou a instalação de uma moagem em Vila Real de Santo António.[30] Deixou de receber folha-de-flandres, mas passaram a chegar madeiras e lenhas em grande quantidade, cortiça e alimentos, originários de Vendas Novas, Lisboa, Barreiro, Santa Clara-Sabóia, Pereiras, São Marcos da Serra, Setúbal e Alvalade.[28] No entanto, a crise económica e a falta de infra-estruturas adequadas, entre outras causas, provocou uma regressão no movimento de mercadorias nesta estação, tendo perdido alguma da sua importância como entreposto, para as Estações de Olhão e Faro.[31]
Ver também |
- Comboios de Portugal
- Infraestruturas de Portugal
- Transporte ferroviário em Portugal
- História do transporte ferroviário em Portugal
Referências
↑ TORRES, Carlos Manitto (1 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1683). p. 76-78. Consultado em 7 de Fevereiro de 2014
↑ ab CAVACO (2001), p. 60
↑ «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85
↑ «Vila Real de Santo António - Linha do Algarve». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 2 de Setembro de 2015
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↑ «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1204). 16 de Fevereiro de 1938. p. 100. Consultado em 10 de Janeiro de 2014
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Bibliografia |
CAVACO, Carminda (1976). O Algarve Oriental: As Vilas, O Campo e o Mar. 1 de 2. Faro: Gabinete de Planeamento da Região do Algarve. 204 páginas
CAVACO, Carminda (1976). O Algarve Oriental: As Vilas, O Campo e o Mar. 2 de 2. Faro: Gabinete de Planeamento da Região do Algarve. 204 páginas
CAVACO, Hugo (2001). Toponímia de Vila Real de Santo António. Vila Real de Santo António: Câmara Municipal. 102 páginas
MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas !CS1 manut: Uso explícito de et al. (link) !CS1 manut: Nomes múltiplos: lista de autores (link)
REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X !CS1 manut: Uso explícito de et al. (link) !CS1 manut: Nomes múltiplos: lista de autores (link)
URBANO, Ludgero (Junho de 1995). História da Mecanização e Agricultura: Algarve. Faro: Direcção Regional de Agricultura do Algarve. 307 páginas
Ligações externas |
- Página sobre a Estação de Vila Real de Santo António, no sítio electrónico da operadora Comboios de Portugal
- Página sobre a Estação de Vila Real de Santo António, no sítio electrónico Wikimapia
Página com fotografias das Estações de Vila Real, Vila Real de Santo António e de V. R. de St.º António-Guadiana, no sítio electrónico Railfaneurope (em inglês)